CONECTANDO TERRITÓRIOS: INCLUSÃO DIGITAL, SUSTENTABILIDADE E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL NA EXPERIÊNCIA DO CRC/UNIVASF NO PROGRAMA COMPUTADORES PARA INCLUSÃO



CONECTANDO TERRITÓRIOS: INCLUSÃO DIGITAL, SUSTENTABILIDADE E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL NA EXPERIÊNCIA DO CRC/UNIVASF NO PROGRAMA COMPUTADORES PARA INCLUSÃO
978-65-6155-152-6

2026
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Márcia Bento Moreira
Moreira, Márcia Bento
Clécia Simone Gonçalves Rosa Pacheco
Pacheco, Clécia Simone Gonçalves Rosa
Henrique Takashi Idogava
Idogava, Henrique Takashi
Este livro intitulado “CONECTANDO TERRITÓRIOS - INCLUSÃO DIGITAL, SUSTENTABILIDADE E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL NA EXPERIÊNCIA DO CRC/UNIVASF NO PROGRAMA COMPUTADORES PARA INCLUSÃO”, registra a criação do CRC – Centro de Recondicionamento de Computadores na UNIVASF – Universidade Federal do Vale do São Francisco em 2016 e a sua atuação junto às comunidades das periferias urbanas e do campo, envolvendo agricultores e agricultoras familiares; quilombolas; indígenas; povos de fundo e fecho de pasto; pescadores artesanais; professores e professoras e alunos e alunas de escolas públicas dos territórios localizados na região semiárida, tais como, Sertão do São Francisco Bahia, Sertão do São Francisco Pernambuco, Piemonte Norte do Itapicurú, Itaparica, Sertão Central e Serra da Capivara, num total de 64 municípios nos Estados da Bahia, Pernambuco e Piauí, formando para a inclusão digital, mas, para além disso, focando nas inúmeras possibilidades presentes nos artefatos tecnológicos como ferramentas propulsoras do desenvolvimento sustentável, na perspectiva de que no fazer do seu cotidiano, não é o computador que diz o que as pessoas devem fazer ou calcular e sim as pessoas definindo o que será feito, os passos e enunciados necessários, demonstrando capacidade para mediar os caminhos utilizados para a realização das suas tarefas. E isto porque, aderir às tecnologias não era uma escolha, mas uma realidade posta, que posteriormente colocado por Bianchetti (2001), assumia um caráter de onipresença, invadindo todas as dimensões da vida humana. Na educação, as tecnologias digitais colaboram significativamente com as intervenções docentes, não para substituir o professor, mas para auxiliar os aprendizes na compreensão dos temas estudados. Assim, tecnologias acessíveis, como softwares adaptativos, leitores de tela, legendas e recursos audiovisuais, ampliam as possibilidades de participação dos estudantes, especialmente aqueles com deficiências. Além disso, ambientes virtuais de aprendizagem podem ser configurados para respeitar diferentes ritmos e estilos de aprendizado, promovendo um ensino mais humanizado, democrático e eficaz. Todavia, a despeito desses aspectos positivos, a inclusão digital ainda esbarra em barreiras importantes, como a falta de infraestrutura adequada; o acesso desigual à internet e dispositivos tecnológicos e a carência de formação específica para educadores, obstáculos que dificultam a implementação efetiva da educação digital inclusiva e aqui reside a importância do CRC para minimizar as desigualdades e ampliar a participação de todas e todos no processo. Este livro nos seus vários capítulos, apresenta um panorama detalhado das tecnologias educacionais utilizadas e como elas foram inicialmente utilizadas para promover a inclusão, sem perder de vista as principais dificuldades enfrentadas para a sua implementação sobretudo nas comunidades rurais, porém apontando soluções práticas e experiências de sucesso para cada realidade. A pauta da inclusão digital no país data do ano 2000 com o lançamento do Livro Verde – Sociedade da Informação no Brasil de Tadao Takahashi, onde as desigualdades de acesso às TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação, são relacionadas à pobreza de grande contingente da população. De lá para cá, o acesso à internet no Brasil tem apresentado um crescimento exponencial. Em pesquisa publicada pela PNAD- Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (2024), 168 milhões de usuários de dez anos ou mais, ou seja, 89,1% da população, já acessavam a rede, embora esse acesso não ocorra de forma homogênea em todo o país, dado as disparidades territoriais, influenciadas pelas dinâmicas dos contextos socioeconômicos em que vivem. Entre as pessoas consideradas desconectadas, 60% são da classe D, evidenciando que a exclusão digital tem um forte componente socioeconômico, surgindo ou se acentuando em função da pobreza e da falta de acesso aos bens e serviços. Mesmo na área rural o acesso vem crescendo. Em 2024, a taxa de domicílios com internet no campo era de 84,8%. O menor acesso se encontra na população indígena com 55%. Já nas escolas o panorama é menos preocupante como aponta a pesquisa, onde 93% delas têm acesso à internet, sendo 68,4% nas instituições públicas, tendo ainda 9000 unidades desconectadas, 5000 delas na Amazônia Legal. Em 2025, as políticas coordenadas pelo Ministério das Comunicações, a exemplo do Escolas Conectadas, inseriu 22,8 mil escolas à internet de qualidade, consolidando a inclusão digital na educação básica. Através dessa política pública, o Ministério tem garantido infraestrutura de conectividade nas unidades de ensino, criando condições para o uso pedagógico das tecnologias digitais, a formação de professores e o acesso de estudantes a conteúdos educacionais e plataformas de aprendizagem, entendendo que sem um ambiente inclusivo digitalmente, a juventude fica privada de acessar o conhecimento, já que no Brasil, até o exercício do voto é pautado pela comunicação digital. O sucesso da materialidade dos esforços do MCom para universalizar a inclusão digital nas escolas públicas passa necessariamente pela formação contínua de professores em tecnologias de informação e comunicação, a fim de que possam eles adaptar suas práticas pedagógicas às novas ferramentas e metodologias das tecnologias digitais, daí a necessidade de permanência do CRC na UNIVASF, para atender a essa demanda que ainda é muito presente, sobretudo nas escolas do campo. Portanto, a inclusão digital na educação vai além do simples acesso à internet. Ela representa uma oportunidade de democratizar o acesso ao conhecimento; estimular o desenvolvimento de habilidades como criatividade, colaboração, resolução de problemas e pensamento crítico, além de personalizar o ensino, adaptando o conteúdo às necessidades de cada aprendiz, considerando ainda que para as comunidades periféricas essas tecnologias se constituem em ferramenta poderosa para a organização comunitária, a reivindicação de direitos e a mobilização por melhorias na infraestrutura local. Trata-se, portanto, de uma questão de justiça social e um passo crucial para a construção de uma sociedade mais equitativa, onde os mais despossuídos materialmente possam ter a capacidade de sonhar, rompendo com o ciclo da pobreza e a construção de um futuro mais próspero e digno. Ao celebrar os dez anos do CRC, o compromisso da UNIVASF além do esforço redobrado para o acesso da população mais fragilizada social e economicamente às tecnologias digitais é garantir a sua compreensão sobre como essas inovações impactam suas vidas diariamente, permitindo o seu pleno desenvolvimento e conferindo o poder de uma escolha consciente, livre e segura. Como bem menciona Pretto (2017), as tecnologias não são neutras: elas podem ser instrumentos de libertação, quando orientadas à emancipação, ou de exclusão, quando concentradas nas mãos de poucos. Assim, garantir a inclusão digital significa democratizar o acesso aos meios tecnológicos e, simultaneamente, desenvolver competências críticas que permitam o uso ético, criativo e transformador das ferramentas digitais. Para isso, a universidade enquanto instituição social e formadora desempenha papel fundamental para o alcance dos objetivos do MCom e da missão social da UNIVASF que é reduzir as desigualdades pela inclusão e a democratização do saber. Profa. Dra. Lucia Marisy Souza Ribeiro de Oliveira Vice Reitora da UNIVASF e Idealizadora do Centro de Recondicionamento de Computadores da UNIVASF
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