COLETÂNEA DE PESQUISA NA FORMAÇÃO DA PSICOLOGIA NO CARIRI CEARENSE - VOLUME 4

Code: 1172-1770
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Título

COLETÂNEA DE PESQUISA NA FORMAÇÃO DA PSICOLOGIA NO CARIRI CEARENSE - VOLUME 4

ISBN

978-65-6155-199-1

DOI
  • DOI
  • 10.37885/978-65-6155-199-1
    Ano Publicação

    2026

    PáginasCapítulosVolumeEdição

    182

    10

    1

    1

    Organizadores:
    • Adriana de Alencar Gomes Pinheiro

      Pinheiro, Adriana de Alencar Gomes

    • João Leandro Neto

      Neto, João Leandro

    • Orlando Júnior Viana Macêdo

      Macêdo, Orlando Júnior Viana

    Apresentação

    Este quarto volume reúne dez trabalhos de conclusão de curso produzidos por estudantes concluintes de Psicologia do Centro Universitário Paraíso, a UniFAP, ao lado de seus orientadores. São textos escritos no Cariri cearense, e algo desse chão comparece neles, nas perguntas que os alunos escolheram fazer e nos problemas que decidiram investigar. Reunidos, dão uma amostra dos interesses que atravessam a formação em psicologia neste momento e neste lugar. O território onde se vive costuma deixar suas marcas naquilo que se pensa. Um sujeito não se compreende bem apartado das relações que o sustentam, da classe a que pertence, das desigualdades que atravessam sua história. Boa parte dos trabalhos aqui reunidos guarda essa preocupação, cada um a seu modo, e é dessa atenção às condições concretas da vida que retiram parte de sua consistência. Um dos capítulos volta-se para a juventude periférica e a atuação da psicologia no CREAS. Acompanha jovens cujas trajetórias são marcadas pela violência e pela falta de amparo, e discute como o trabalho psicológico, nesse contexto, se aproxima de um exercício ético e político tanto quanto técnico. Há ali um cuidado em não tratar o sofrimento como se ele não tivesse raízes sociais, e em enxergar nesses jovens algo além da vulnerabilidade. A atenção ao presente reaparece no estudo sobre a experiência do tempo entre universitários. A vida se acelerou, e com ela encurtou-se aquilo que costumava pedir demora, como a dúvida ou o amadurecimento de uma escolha. Cobrado a produzir sem pausa, o estudante por vezes adoece nesse ritmo. O capítulo procura ler com atenção de que maneira a lógica do desempenho se infiltra na subjetividade e converte o tempo numa fonte de mal-estar. Quando o tempo aperta, o corpo responde à sua maneira. A investigação sobre psicossomática retoma uma intuição que acompanha a psicanálise desde cedo, segundo a qual aquilo que não encontra palavra pode retornar pela via do corpo. O corpo aparece então como uma superfície em que o inconsciente se inscreve, lugar onde o que foi calado insiste em se fazer sentir. Trata-se menos de metáfora e mais de uma compreensão clínica com implicações reais no modo de escutar. O vínculo mais antigo, aquele que nos forma antes mesmo da linguagem, é o tema do capítulo sobre abandono emocional na primeira infância. A falta de respostas afetivas nos primeiros anos costuma deixar marcas que a vida adulta repete nos relacionamentos. A negligência emocional tem uma face difícil de perceber, pois, por não deixar hematomas, costuma passar despercebida, tomada como um jeito comum de criar filhos. Nomeá-la, como faz este trabalho, já é uma forma de atenção. Dois capítulos chamam atenção pela escolha do objeto. Um deles lê a personagem Nico Robin, de One Piece, a partir da teoria freudiana e lacaniana. Outro examina a transformação do protagonista de Blue Lock no terreno do egoísmo competitivo. Quem estranhar a presença de mangás numa obra de psicologia talvez esqueça que a psicanálise se constituiu em conversa próxima com a literatura e o teatro. A ficção costuma funcionar como um espaço em que o humano se deixa observar, e ler personagens com apoio teórico é um caminho possível para pensar aquilo que nos move. Há também um estudo que parte da obra Sessão de Terapia para pensar a transferência e a contratransferência, movimentos afetivos que sustentam o funcionamento da clínica. A relação entre quem escuta e quem fala nunca é neutra, e acompanhá-la de perto é chegar ao que há de mais próprio no trabalho analítico. Situar esses conceitos dentro de uma narrativa conhecida ajuda o leitor a percebê-los operando numa cena. A clínica com crianças autistas ocupa um lugar sensível nesta reunião. O capítulo enfrenta as divergências de um campo em que diferentes modelos disputam o modo de compreender o autismo e o cuidado devido a essas crianças. A escuta da singularidade de cada uma, diante de tentativas de padronizar a conduta, é a linha que atravessa o texto. A discussão vem a propósito num tempo em que o diagnóstico com frequência se antecipa ao encontro com a criança. A cultura digital aparece em dois trabalhos que se aproximam. Um examina como as tecnologias de comunicação estimulam autodiagnósticos apressados, convertendo o sofrimento em rótulo pronto para consumo. Outro investiga os efeitos de entregar à inteligência artificial certas decisões sobre seleção de pessoas, quando trajetórias passam a depender de critérios algorítmicos. Ambos partilham uma inquietação a respeito do que se perde quando a tela se interpõe entre os sujeitos, mediando aquilo que antes pedia presença. Percorridos os dez capítulos, nota-se uma variedade que talvez seja o traço mais próprio da obra. As psicologias que aqui comparecem não se harmonizam por completo, apoiam-se em teorias distintas e se voltam para objetos que vão do consultório às redes, da primeira infância à ficção japonesa. Essa diferença não empobrece o conjunto. Ela apenas registra que a psicologia, no plural, admite muitos caminhos, e que cada aluno seguiu o seu. Cabe uma palavra sobre o momento em que a coletânea vem a público. Ela integra a abertura do ano jubilar da Psicologia da UniFAP, que em 2027 completará dez anos. Uma década de formação diz respeito a muitos jovens que encontraram, sem se afastar de suas raízes, a possibilidade de estudar e de se formar como psicólogos. A reunião destes trabalhos acompanha esse marco e dá a ver parte do que se produziu ao longo do percurso. Há, na variedade dos temas reunidos, um traço do próprio Cariri, capaz de abrigar interesses e olhares que pouco se parecem entre si. Estas páginas ficam como parte do que ali se estuda e se pensa, num curso que segue se construindo. Juazeiro do Norte, 25 de agosto de 2026 - Abertura do Ano Jubilar dos Dez Anos do Curso de Psicologia da UniFAP.

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    10 Capítulos

    Capítulo 1
    Capítulo 2
    Capítulo 3
    Capítulo 4
    Capítulo 5
    Capítulo 6
    Capítulo 7
    Capítulo 8
    Capítulo 9
    Capítulo 10