SUPLEMENTAÇÃO DE ESPERMIDINA EM HUMANOS — EXPECTATIVA VERSUS EVIDÊNCIA: NARRATIVA DE ESTUDOS DE INTERVENÇÃO

Code: 260822733
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Título

SUPLEMENTAÇÃO DE ESPERMIDINA EM HUMANOS — EXPECTATIVA VERSUS EVIDÊNCIA: NARRATIVA DE ESTUDOS DE INTERVENÇÃO

Autores:
  • Vinícius Arantes Campos

  • Allan Gomes Doriguetto

DOI
  • DOI
  • 10.37885/260822733
    Publicado em

    16/09/2026

    Páginas

    105-113

    Capítulo

    7

    Resumo

    Objetivo: Confrontar as alegações de benefício atribuídas à suplementação de espermidina com a evidência proveniente de estudos de intervenção em humanos. Métodos: Revisão narrativa conduzida no PubMed, segundo os princípios do PRISMA 2020 (PAGE et al., 2021). Incluíram-se estudos de intervenção em humanos cuja intervenção fosse espermidina por via oral ou extrato rico em espermidina, com desfecho clínico ou de biomarcador. Excluíram-se estudos pré-clínicos, observacionais sem intervenção e formulações em que a espermidina não pudesse ser isolada. A busca e a triagem inicial foram apoiadas por modelo de linguagem; a seleção e a avaliação crítica foram conduzidas de forma independente pelos dois autores, com resolução de divergências por consenso. Resultados: Oito estudos de intervenção em humanos preencheram os critérios de elegibilidade. No domínio cognitivo, dois estudos preliminares sugeriram benefício sobre a memória — um ensaio piloto de fase IIa com 30 participantes ao longo de três meses (WIRTH et al., 2018) e um estudo preliminar com 85 idosos institucionalizados (PEKAR et al., 2021) —, porém o único ensaio adequadamente desenhado, o SmartAge (fase IIb, randomizado, duplo-cego, 100 participantes, 12 meses), não demonstrou efeito sobre a cognição (SCHWARZ et al., 2022). Dois ensaios farmacocinéticos randomizados demonstraram que a espermidina oral, nas doses de 15 mg/dia e 40 mg/dia, praticamente não eleva a espermidina circulante (SENEKOWITSCH et al., 2023; KEOHANE et al., 2024), o que questiona o próprio engajamento do alvo. Os demais domínios — autofagia e imunidade — contam apenas com ensaios piloto de caráter exploratório (BRUNO; LA MONICA; ZIEGENFUSS, 2025; ALSALEH et al., 2026), e o único ensaio cardiovascular ainda não havia divulgado resultados até a redação deste capítulo (THORUP et al., 2025). Conclusão: Há descompasso entre a popularidade da espermidina e a evidência clínica que a sustenta. O único ensaio robusto foi negativo, a biodisponibilidade oral é questionável e os demais desfechos carecem de estudos confirmatórios. A evidência atual não sustenta a suplementação de espermidina para promoção de saúde ou desempenho cognitivo; são necessários ensaios maiores, mais longos e que verifiquem o engajamento do alvo.

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    Palavras-chave

    espermidina; poliaminas; autofagia; cognição; suplementos nutricionais

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