DUAS TRANSIÇÕES, UM CUIDADO: REABILITAÇÃO APÓS ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL NO DOMICÍLIO EM FAMÍLIA



DUAS TRANSIÇÕES, UM CUIDADO: REABILITAÇÃO APÓS ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL NO DOMICÍLIO EM FAMÍLIA
Hugo José Manuel Nunes
Florbela Santos
Joana Mendes Marques
Nelson Emídio Henrique Guerra
Luís Manuel Mota de Sousa
Sandy Silva Pedro Severino

26/08/2026
231-252
14
Objetivo: O presente estudo tem como objetivo descrever a intervenção do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação na implementação de um programa de reabilitação à pessoa com Acidente Vascular Cerebral isquémico em contexto domiciliário, integrada na Equipa de Cuidados Continuados Integrados. Metodologia: Foi realizado um Relato de Caso Clínico, seguindo as diretrizes CARE, orientado pela Teoria das Transições de Afaf Meleis, pelo Modelo de Cuidados Centrados na Pessoa de McCormack e McCance e pelas Guidelines da Registered Nurses Association of Ontario. Foi implementado um plano de intervenção baseado no Padrão Documental e na Ontologia de Enfermagem, com recurso a instrumentos de avaliação validados, aplicados em três momentos distintos (avaliação inicial, intermédia e avaliação final). Resultados: Com a implementação do programa de reabilitação verificaram-se ganhos na maioria todos os domínios avaliados, nomeadamente na força muscular, no tónus muscular, no equilíbrio, na marcha, na funcionalidade nas atividades de vida diária e na deglutição. Registou-se igualmente uma redução da sobrecarga do cuidador. Discussão: Os resultados obtidos são consistentes com a evidência científica mais recente sobre reabilitação neurológica domiciliária. O caso evidenciou um achado clinicamente relevante: a discrepância entre a capacidade funcional real da pessoa e a autonomia efetivamente vivida, condicionada pela sobreproteção do cuidador informal, fenómeno que limita os ganhos de independência independentemente da qualidade técnica da intervenção. Conclusões: O Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação, através da sua intervenção especializada e individualizada, assumiu um papel central na transição saúde-doença da pessoa com Acidente Vascular Cerebral e na transição de papel do cuidador informal, produzindo ganhos mensuráveis e clinicamente relevantes. O relato reforça a necessidade de integrar sistematicamente a avaliação do contexto familiar nos programas de reabilitação comunitária.
Ler mais...Enfermagem de Reabilitação; Acidente Vascular Cerebral; Reabilitação Domiciliária; Teoria das Transições; Cuidador Informal
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