CRÔNICAS DE UM BRASIL HOSTIL: A PERCEPÇÃO DE VIAJANTES ESTRANGEIROS SOBRE A FAUNA PARASITÁRIA NO BRASIL DO SÉCULO XIX



CRÔNICAS DE UM BRASIL HOSTIL: A PERCEPÇÃO DE VIAJANTES ESTRANGEIROS SOBRE A FAUNA PARASITÁRIA NO BRASIL DO SÉCULO XIX
Lucas Cairê Gonçalves
Christian Fausto Moraes dos Santos
Wellington Bernardelli Silva Filho

06/02/2026
141-160
5
Neste capítulo, investigamos como viajantes estrangeiros no Brasil do século XIX registraram uma fauna parasitária percebida como hostil e como esses encontros corporais condicionaram a produção de conhecimento em campo. A partir de uma leitura crítica de relatos de viagem — de naturalistas profissionais a exploradores comissionados — reconstituímos o assédio cotidiano de mosquitos e piuns, carrapatos, bichos-de-pé e miíases (bernes), além de infestações por moscas varejeiras. Mostramos que o problema não se limita ao desconforto: ele reorganiza rotinas de coleta, escrita e descanso, impõe estratégias adaptativas (vestimenta, fumaça, improvisos) e expõe a vulnerabilidade dos corpos em febres, prostração e estresse continuado. Ao mesmo tempo, esses episódios alimentam metáforas e “geografias morais” que opõem civilização e trópico, fazendo do inseto uma peça retórica da paisagem. Sustentamos, assim, que a história natural oitocentista foi inseparável das materialidades do território: o saber produzido dependeu, em grande medida, do que o corpo conseguiu suportar, contornar e narrar.
Ler mais...História das Ciências da Saúde; parasitas; viajantes; século XIX; História do Brasil
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