CONECTIVIDADE EPIDEMIOLÓGICA E LOGÍSTICA NA FRONTEIRA OESTE DO RIO GRANDE DO SUL: ANÁLISE TEMPORAL DAS INTERNAÇÕES POR DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS



CONECTIVIDADE EPIDEMIOLÓGICA E LOGÍSTICA NA FRONTEIRA OESTE DO RIO GRANDE DO SUL: ANÁLISE TEMPORAL DAS INTERNAÇÕES POR DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS
Vitor Lima Nunes
Marcos Paulo Fernandes Lobato
Luisa Mendes Melchuna
Ana Louise Holanda do Nascimento
Aleksandra Peçanha Sharapin Sagrilo
Natália Penalva Panighel
Vinícius Gehrke Tonin
Valdir Paz Ribeiro Júnior
Guilherme Dutra Pereira
Bárbara Marta Gonçalves Torres

01/07/2026
127-145
10
Em territórios transfronteiriços, a logística costuma ser tomada como vetor imediato de surtos infecciosos. Entre a rodovia e o leito hospitalar, porém, atuam mediadores como clima, saneamento, vulnerabilidade socioespacial, acesso e organização assistencial. Objetivo: testar a premissa do “efeito dominó” logístico, investigando a conectividade epidemiológica das internações por Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP) em Alegrete, Uruguaiana e Sant’Ana do Livramento. Métodos: estudo ecológico, retrospectivo e quantitativo, baseado em séries temporais mensais de 144 meses (2014–2025). Extraíram-se, do SIH/SUS, as internações do Capítulo I da CID-10 (A00–B99). Aplicou-se a Função de Correlação Cruzada (CCF), com defasagens bidirecionais de até seis meses, para identificar sincronia, precedência ou ruptura temporal. Resultados: os dados não sustentaram propagação mecânica e sincrônica pelo eixo rodoviário. A maior correlação, no par Alegrete–Uruguaiana, foi baixa (r = 0,153) e ocorreu em lag de seis meses, sugerindo espelhamento sazonal tardio, mais compatível com condicionantes climáticos e territoriais do que com contágio viário direto. Sant’Ana do Livramento exibiu dissociação estrutural (r < 0,11), indicando dinâmica própria, possivelmente associada à conurbação internacional e aos fluxos com o Uruguai. Conclusão: a morbidade infecciosa hospitalar na Fronteira Oeste não acompanha linearmente as rodovias. Emerge da interação entre ecologia local, vulnerabilidade sanitária, sazonalidade e assistência. A vigilância deve superar leituras homogêneas da mobilidade e adotar estratégias ultraterritorializadas, sensíveis aos circuitos locais de exposição, cuidado e registro.
Ler mais...epidemiologia espacial; correlação cruzada; doenças infecciosas; SIH/SUS; Fronteira Oeste
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